Nestes dias de agosto, mais exatamente hoje, Dia do Advogado, uma breve reflexão sobre a exposição dos transmutados influencers jurídicos nas redes sociais.
Determina
o Provimento 205/2021 do CFOAB:
Art. 1º É permitido
o marketing jurídico, desde que exercido de forma compatível com os preceitos
éticos e respeitadas as limitações impostas pelo Estatuto da Advocacia ...
Art. 3º A publicidade profissional deve ter
caráter meramente informativo e primar pela discrição e sobriedade, não podendo
configurar captação de clientela ou mercantilização da profissão, sendo vedadas
as seguintes condutas:
(...) § 1º
Entende-se por publicidade profissional sóbria, discreta e informativa a
divulgação que, sem ostentação, torna público o perfil profissional e as
informações atinentes ao exercício profissional, conforme estabelecido pelo §
1º, do art. 44, do Código de Ética e Disciplina, sem incitar diretamente ao
litígio judicial, administrativo ou à contratação de serviços, sendo vedada a
promoção pessoal.
Talvez o algoritmo tenha selecionado
somente advogados que não leram o Provimento e seguem fazendo comédia, sem talento,
diga-se, invadindo a seara alheia, algo constrangedor, beirando o patético.
Outros, por vezes, trazem
à lembrança aqueles anúncios de legumes em feira ou lojas populares tamanha
estridência do conteúdo.
No mundo atual de valores líquidos (Modernidade Líquida, Zygmunt Bauman), os valores morais e duradouros
perdem força; vigoram o consumo, o efêmero e o flexível.
Assim, escorrem pelos
dedos a sobriedade, discrição e dignidade, em busca de likes, seguidores e
monetização.
De corar ou indignar Sobral Pinto.
Nem só de rede social vivem os advogados;
ontem, hoje e amanhã têm e irão revelar-se insubmissos ao Estatuto da Classe,
lei federal, no trato com a parte contrária, no trato com o cliente, não se
trata de figura de linguagem, fatos concretos sobre a mesa a serem resolvidos.
Tudo por falta de leitura do Estatuto, na verdade, falta de formação mesmo.
Nada de ufanismo no Dia do Advogado.
Algo
constrangedor, beirando o patético. Assim, tem sido.




